Hideo Kojima voltou a fazer o que sabe muito bem além de criar jogos: comentar cultura pop nas redes sociais. Desta vez, o alvo foi Backrooms, o fenômeno de horror de 2026 que vem surpreendendo o mercado cinematográfico com sua trajetória incomum.
Em publicação no X, o criador de Metal Gear e Death Stranding afirmou estar impressionado com o longa e traçou uma comparação curiosa, vinda de quem viveu a era de ouro dos videogames: ele associou a sensação de confinamento e ansiedade do filme às experiências de jogos pseudo-3D do início do Family Computer, antes da existência de polígonos e texturas propriamente ditos, e destacou a inteligência da direção de arte, que mistura referências de arquitetura, arte e psicologia.
“Estou impressionado”, escreveu o criador de Metal Gear e Death Stranding.
“Me lembra os jogos pseudo-3D da era 2D, lá no início dos RPGs e do Family Computer (NES), antes dos polígonos e texturas existirem… Aquela sensação de confinamento. Aquela sensação de ansiedade. Ambas são revividas aqui em live-action. A direção de arte é inteligente, incorporando elementos de arte, arquitetura e psicologia.”
The Backrooms
— HIDEO_KOJIMA (@HIDEO_KOJIMA_EN) July 30, 2026
A world where nostalgia and novelty attack you in the form of "art." I'm blown away. It reminds me of pseudo-3D games from the 2D era, back in the dawn of RPGs and the Family Computer (NES), before polygons and textures existed. Simulated 3D spaces built from… https://t.co/S7qgnmdpsF
Backrooms estreou nos cinemas em 29 de maio de 2026 e, desde então, não parou de crescer. Com um orçamento de apenas US$ 10 milhões, o filme já arrecadou mais de US$ 330 milhões ao redor do mundo — um resultado notável para qualquer produção, e ainda mais impressionante ao se considerar que é a estreia em longas-metragens de Kane Parsons, diretor de apenas 21 anos. Em meados de julho, o filme chegou ao formato digital, embora ainda não tenha estreado no Japão, o que explica o comentário um pouco atrasado de Kojima em relação ao restante do mundo.
A origem de Backrooms remonta a 2019, quando a lenda urbana surgiu originalmente em um fórum do 4chan — não criada por Parsons. Foi o diretor, no entanto, quem expandiu o conceito por meio de uma web série no YouTube, aprofundando a ideia dos chamados "espaços liminares": ambientes vazios e ao mesmo tempo familiares, que provocam uma sensação de estranhamento e perigo. No filme, a trama acompanha um funcionário de uma loja de móveis que descobre uma passagem secreta para uma rede infinita de cômodos interligados.
O sucesso do longa levou Parsons a lançar, no mês passado, uma versão estendida batizada de "Backrooms: Everything Must Go Edition", com 2 horas e 6 minutos de duração e material extra editado pelo próprio diretor. Diante da repercussão, grandes estúdios de Hollywood já disputam a atenção do jovem cineasta para seus próximos projetos — consolidando Backrooms como um dos casos mais curiosos do cinema recente: uma lenda de internet nascida em um fórum anônimo que virou um dos maiores sucessos de bilheteria do ano.



