A corrida por infraestrutura de inteligência artificial ainda deve apertar a cadeia de suprimentos por um bom tempo. Lip-Bu Tan, CEO da Intel, afirmou que a oferta de hardware para IA vai continuar abaixo da demanda por mais dois a três anos. A declaração foi feita em 12 de outubro, em um evento do DBS Bank, em Singapura.
Gargalos na memória e na fabricação
Segundo Tan, o crescimento acelerado dos data centers de IA pressiona uma cadeia que já tem limites em várias etapas. Faltam chips de memória e outros componentes, e os fabricantes dependem de processos avançados de produção e encapsulamento, cuja capacidade não pode ser ampliada rapidamente.
IA agêntica aumenta a procura por CPUs
Um dos destaques foi a mudança na proporção entre GPUs e CPUs. Antes, eram cerca de oito GPUs para cada CPU. Com a chamada IA agêntica, formada por sistemas que executam tarefas e tomam ações com mais autonomia, a conta caiu para perto de quatro GPUs por CPU. Isso valoriza os processadores tradicionais nos servidores de IA.
O número ajuda a explicar o bom momento da Intel. No segundo trimestre de 2026, a divisão Data Center and AI registrou alta de 59% na receita em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento, porém, não depende só da IA agêntica, já que também envolve a demanda de grandes provedores de nuvem e servidores mais avançados.
Capital e retorno financeiro
Para Tan, o limite não é só produzir mais chips. O acesso a capital e o custo do financiamento também pesam, diante dos investimentos bilionários em data centers, aceleradores, memória e sistemas de energia. A longo prazo, o setor precisará provar que esse gasto gera retorno suficiente, já que empresas e investidores exigem resultados mais claros.
Modelos chineses e o custo por token
O executivo comentou que DeepSeek, Kimi e GLM operam com custo por token bem menor. Mesmo sem igualar o desempenho dos sistemas mais caros em todas as tarefas, eles seriam bons o bastante para muitas aplicações. Segundo Tan, a adoção é rápida e pressiona as empresas a reduzir o custo de operar seus próprios sistemas.
Computação quântica em 3 a 5 anos
Tan se mostrou otimista sobre a computação quântica, que, na visão dele, pode ter uso mais amplo em três a cinco anos. Ele já investiu no setor via capital de risco e tem interesse na computação quântica fotônica, mas afirmou que o hardware precisa de aplicações práticas para sair dos laboratórios.
Contexto para o consumidor
A fala chega junto de rumores de reajustes de preço no setor, como a alta de até 20% no Intel Panther Lake e de 10% nos Snapdragon X, citada pelo jornal taiwanês Commercial Times. Esses valores não foram confirmados pelas empresas.



