A Kadokawa, conglomerado japonês e controladora da aclamada desenvolvedora FromSoftware, encontra-se no centro de uma intensa disputa corporativa. A Oasis Management Company, um fundo de investimentos sediado em Hong Kong e agora o maior acionista da Kadokawa desde março de 2026, publicou um extenso documento intitulado "Uma Kadokawa Melhor". Nele, a Oasis tece duras críticas à gestão atual da empresa, destacando o que descreve como um "vazamento de lucros" decorrente da excessiva dependência da FromSoftware de editoras terceirizadas para a distribuição de seus jogos no mercado internacional.
O Dilema com a Bandai Namco e o Caso Elden Ring
Enquanto a FromSoftware publica seus títulos de forma independente no Japão, a distribuição global é frequentemente realizada por parceiros externos, com a Bandai Namco Entertainment sendo a principal delas. A Oasis argumenta que esse modelo permite que as editoras externas "capturem a maior parte do valor antes de pagar royalties ou divisão de receita aos desenvolvedores", resultando em uma drenagem de lucros do grupo Kadokawa.
O exemplo mais contundente citado no documento é o sucesso estrondoso de Elden Ring. Segundo a Oasis, impressionantes 90% das vendas do jogo vieram do mercado internacional, todas processadas pela Bandai Namco. Consequentemente, a editora registrou um crescimento de lucro significativamente maior do que a própria Kadokawa, que detém a maioria das ações da FromSoftware. Para o fundo, a equação é clara: o criador do jogo não está recebendo a fatia justa dos resultados.
Anteriormente, a Oasis havia sugerido que a Kadokawa e a FromSoftware buscassem capital para a autopublicação através de uma venda parcial de ações do estúdio ou da venda de 25% da FromSoftware para um comprador externo. Agora, o fundo aponta que os investimentos recebidos da Sony, CyberAgent e Tencent entre 2021 e 2025 já deveriam ter fornecido capital suficiente para essa transição.
O CEO Sob Escrutínio e a Resposta da Kadokawa
O principal alvo da campanha da Oasis é o atual presidente e CEO da Kadokawa, Takeshi Natsuno. O fundo acredita que Natsuno tem sido "cauteloso" em relação à mudança para a autopublicação, em parte devido a contratos mais vantajosos oferecidos por editoras como a Bandai Namco. A conclusão da Oasis é que, enquanto Natsuno estiver no comando, a dependência de terceiros persistirá.
Em resposta, o conselho de administração da Kadokawa já se manifestou, opondo-se formalmente a uma proposta separada da Oasis para votar pela remoção de Natsuno. A empresa refutou a maioria das críticas, classificando-as como infundadas ou baseadas em uma interpretação equivocada de suas circunstâncias. Sobre a questão da publicação, a Kadokawa afirmou que suas decisões são abrangentes e baseadas em termos contratuais e outros fatores, avaliando caso a caso a internalização de cada propriedade intelectual.
Fonte: Automaton Media



