A Disney tentou mais uma vez transformar uma de suas animações clássicas em live-action de bilheteria — e o resultado foi um dos piores da história recente do estúdio. O remake de Moana, protagonizado por Catherine Laga'aia e Dwayne Johnson, abriu nos cinemas e acumulou apenas US$ 95 milhões mundialmente, um número que coloca o filme em rota de prejuízo significativo.
O site Deadline, referência em análises financeiras do mercado cinematográfico, estima que o live-action de Moana precisaria atingir ao menos US$ 250 milhões ao longo de toda a sua corrida nas salas para não registrar perda. Se encerrar abaixo disso — o que os números de abertura sugerem fortemente —, o prejuízo deve superar US$ 100 milhões.
Os números em perspectiva
A abertura doméstica americana foi de US$ 43 milhões — o mesmo número registrado pelo live-action de Branca de Neve, que virou sinônimo de fracasso nos últimos tempos. A comparação é inevitável e pouco lisonjeira.
Para entender o quanto esse resultado desaponta, basta olhar para o histórico dos outros remakes do estúdio no mercado americano: O Rei Leão abriu com US$ 191 milhões, A Bela e a Fera com US$ 174 milhões, e até o mais modesto Aladdin registrou US$ 91 milhões só nos EUA em seu fim de semana de estreia. Moana live-action ficou abaixo de todos eles.
Internacionalmente, o desempenho é ligeiramente superior ao de Branca de Neve, mas insuficiente para mudar o quadro geral.
Por que Moana afundou
A leitura mais honesta do resultado aponta para uma combinação de fatores que se acumularam antes mesmo da estreia.
O primeiro é o desgaste do universo. Moana 2, a sequência animada lançada há menos de dois anos, foi recebida com bem menos entusiasmo do que o filme original de 2016 — o que pode ter esfriado o interesse do público pela personagem antes que o live-action chegasse às telas.
O segundo fator é a recepção prévia ao material de divulgação. As primeiras reações aos trailers foram amplamente negativas, com parte da audiência descrevendo as imagens como visualmente pouco inspiradas. Antes disso, as críticas à peruca de Dwayne Johnson no papel de Maui já haviam dado o tom: as imagens simplesmente não conquistaram a confiança dos fãs da animação original.
O contraste com Lilo & Stitch — que ultrapassou US$ 1 bilhão em bilheteria há menos de um ano — é brutal. E ilustra como a recepção do público a cada propriedade é absolutamente individual, independente da estratégia do estúdio.
A Disney não vai parar
Apesar do resultado, a Disney não dá sinais de abandonar a estratégia de live-actions. O remake de Hércules segue em desenvolvimento sem novidades relevantes, e uma versão em live-action de Enrolados está sendo preparada. Além disso, a sequência do live-action de Lilo & Stitch já recebeu sinal verde do estúdio.
A lógica financeira é clara: quando funciona, como em Lilo & Stitch ou no Rei Leão, os retornos são enormes. O problema é que a fórmula não é garantia — e Moana é a mais recente demonstração disso.



