Desde que Jurassic Park mostrou pela primeira vez um braquiossauro caminhando diante de Sam Neill e Laura Dern, inserir dinossauros em um filme tornou-se um grande desafio. Steven Spielberg e sua equipe conseguiram fazer com que aquelas criaturas de 1993 parecessem animais reais, e não apenas monstros. Mais de três décadas depois, qualquer produção que revisite o tema inevitavelmente acaba sendo comparada a elas — a Industrial Light & Magic (ILM) foi responsável por esse salto tecnológico que mudou os efeitos visuais para sempre.
Mas o que sabemos sobre dinossauros também mudou. As reconstruções de hoje podem ser muito diferentes daquelas criaturas de pele escamosa que dominaram a cultura popular por anos, e O Fim da Rua decidiu aproveitar essa liberdade. Em vez de copiar diretamente a aparência já conhecida de Jurassic Park, David Robert Mitchell quis criar seus próprios animais — estranhos, mas verossímeis o suficiente para que o público pudesse imaginá-los andando pelo quintal de alguém.
A ILM também foi responsável pelos dinossauros em O Fim da Rua
O filme é estrelado por Anne Hathaway e Ewan McGregor e produzido por J.J. Abrams. Em entrevista ao SensaCine, Abrams e Mitchell explicaram que alcançar a aparência das criaturas foi um processo complexo, envolvendo uma equipe multidisciplinar de especialistas em efeitos visuais, artistas conceituais e a própria ILM — o mesmo estúdio que trabalha com dinossauros no cinema há décadas. Sobre como equilibraram precisão científica com necessidades cinematográficas, a dupla comentou:
"Trabalhamos com nosso supervisor de efeitos visuais, a ILM, e com os artistas conceituais".
Mitchell deixou claro que a ciência foi um ponto de partida, mas não uma regra que o filme precisava seguir à risca:
"Tentamos criar algo que fosse inspirado pela ciência de alguma forma, mas também houve liberdades criativas. Tentamos fazer algo interessante".
Eles não queriam apenas copiar Jurassic Park
Mitchell explicou que uma enorme quantidade de arte conceitual foi produzida durante a pré-produção. Os designs iam e vinham entre o diretor, sua equipe de produção e os artistas: características de um animal podiam ser testadas em outra criatura, proporções eram alteradas e depois havia retorno a versões anteriores — uma mistura constante de informação científica com a necessidade de criar dinossauros que pertencessem especificamente a essa história.
Isso é especialmente perceptível em criaturas com filamentos e revestimentos corporais muito mais pronunciados do que os vistos no cinema convencional por décadas. Para Mitchell, a intenção nunca foi fazer um documentário ou um blockbuster convencional — a ideia era aproveitar conceitos modernos sobre esses animais sem perder o elemento fantástico.
A participação da ILM nesse processo também carrega peso histórico: foi o estúdio que ajudou a estabelecer a imagem moderna do dinossauro no cinema com Jurassic Park, desenvolvendo alguns dos primeiros dinossauros digitais fotorrealistas já vistos nas telas. Desde então, a ILM segue atuando na franquia, incluindo produções recentes como Jurassic World: Recomeço. A diferença, aqui, é que a equipe não precisou se ater ao visual já estabelecido pelos seis filmes de Jurassic Park — permitindo que Mitchell explorasse livremente como queria que suas criaturas fossem.
O Fim da Rua estreou nos cinemas em 13 de agosto de 2026.



