ENREDO:
Sem entrar em detalhes que poderiam estragar a experiência, a narrativa de Death Stranding 2 foi, para mim, um dos maiores destaques da campanha. Existem diversos momentos ao longo da jornada que conseguem provocar emoções genuínas, passando por cenas capazes de arrancar lágrimas até momentos de tensão, surpresa e reflexão.
Grande parte desse impacto vem justamente do relacionamento entre Sam e Lou. A relação construída entre os dois ganha ainda mais profundidade durante a campanha, fazendo com que suas decisões e acontecimentos tenham um peso emocional muito maior. O desenvolvimento dos personagens também merece destaque, principalmente pela forma como a história permite que diferentes figuras do elenco evoluam ao longo da jornada.
A atuação do elenco é outro elemento fundamental para esse resultado. Norman Reedus retorna ao papel de Sam Porter Bridges, entregando novamente uma interpretação carregada de personalidade e emoção. Léa Seydoux, como Fragile, também se destaca de maneira impressionante, apresentando uma atuação que, particularmente, fez com que eu apreciasse ainda mais a personagem e sua trajetória.
Tudo isso é potencializado pela direção de Hideo Kojima. Sua assinatura está presente em praticamente todos os aspectos da obra, desde a construção visual e artística até a maneira pouco convencional de contar histórias. Kojima continua demonstrando uma capacidade singular de transformar conceitos estranhos e aparentemente difíceis de compreender em experiências que conseguem ser, ao mesmo tempo, divertidas, emocionantes e capazes de provocar reflexão.
Death Stranding 2 também deixa evidente o carinho de Kojima pelos videogames como meio de expressão. A direção, a cinematografia, a música, as atuações e a própria estrutura da aventura trabalham em conjunto para transmitir aquilo que o diretor deseja ao jogador.
No fim, quando falamos especificamente de sua história, há pouco a reclamar. Hideo Kojima novamente demonstra por que é considerado um dos grandes nomes da indústria. Mesmo quando apresenta ideias incomuns ou escolhas narrativas que podem dividir opiniões, ele consegue transformá-las em uma experiência marcante.
Death Stranding 2: On the Beach é, acima de tudo, uma obra que consegue fazer o jogador sentir. E, para mim, essa é uma das maiores conquistas de sua narrativa.
Também não há como falar da campanha sem destacar a interpretação de Neil Vana como um dos antagonistas da história. O personagem protagoniza alguns dos grandes momentos de confronto da aventura, com cenários de combate marcantes e uma presença que ganha cada vez mais importância conforme a narrativa avança.
Sem entrar em spoilers, o grande plot envolvendo Neil demonstra mais uma vez a capacidade de Hideo Kojima de surpreender o jogador e reinventar suas próprias ideias. Mesmo partindo de uma premissa que apresenta algumas semelhanças com a construção de Clifford Unger no primeiro jogo, Kojima consegue conduzir o conceito por um caminho diferente e dar ao personagem sua própria identidade dentro da narrativa.
Neil Vana acaba se tornando uma peça importante para compreender os caminhos que Death Stranding 2 pretende seguir, reforçando uma das maiores qualidades da obra: a capacidade de pegar conceitos já conhecidos e transformá-los em algo novo dentro de seu universo.
Também não há como falar dos antagonistas de Death Stranding 2 sem destacar a interpretação de Troy Baker como Higgs, que retorna em um papel de grande importância dentro da campanha. Sua atuação consegue transmitir ao personagem uma presença única, fazendo com que ele cumpra muito bem o papel de vilão ao longo da aventura.
Além de Higgs, a campanha apresenta novos rostos e diferentes tipos de inimigos e soldados, ampliando os desafios encontrados durante a jornada e trazendo mais variedade para os confrontos.
Mas é justamente na interpretação de Troy Baker que Higgs encontra sua maior força. O ator demonstra um evidente domínio do personagem, alternando entre momentos de ameaça, teatralidade e humor de uma maneira que combina perfeitamente com a identidade excêntrica do vilão.
Sem entrar em grandes spoilers, existe uma cena em particular que merece destaque: o momento em que Higgs pega sua guitarra e canta para Sam. A sequência consegue mostrar todo o talento de Troy Baker e o cuidado colocado na interpretação do personagem, transformando uma situação que poderia parecer apenas estranha em um dos momentos mais memoráveis da campanha.
É esse tipo de escolha que representa muito bem Death Stranding 2: uma obra que não tem medo de ser estranha, inesperada e até mesmo absurda, mas que consegue transformar essas características em momentos genuinamente marcantes.
jogabilidade e desempenho:
No quesito jogabilidade, Death Stranding 2: On the Beach se mostra superior ao seu antecessor em praticamente todos os aspectos. Se o primeiro jogo já havia estabelecido um marco pela sua narrativa e pela maneira pouco convencional de construir sua experiência, a sequência demonstra que Hideo Kojima estava disposto a ouvir parte das críticas dos jogadores e colocar à prova, mais uma vez, o motivo de seu nome ter tanto peso na indústria.
A grande variedade de armas e as novas possibilidades de combate tornam a experiência muito mais dinâmica e divertida. O combate corpo a corpo recebeu atenção especial, trazendo momentos inesperadamente engraçados, como o famoso Pizza Karate, que adiciona uma dose de humor à seriedade habitual da aventura.

O arsenal também merece destaque. O jogo oferece diferentes armas e equipamentos que podem ser experimentados de maneiras distintas, inclusive em atividades e modos específicos que permitem ao jogador testar suas possibilidades. Entre as minhas favoritas estão a guitarra e a própria arma relacionada à pizza, escolhas que representam muito bem a maneira como Kojima gosta de experimentar conceitos completamente fora do convencional.
É justamente nesse ponto que Death Stranding 2 mostra sua personalidade. Em vez de simplesmente seguir aquilo que já funcionava no primeiro jogo, Kojima decidiu ampliar suas ideias e testar novas possibilidades. E, por mais estranhas que algumas delas possam parecer inicialmente, é justamente essa liberdade criativa que faz parte da identidade da franquia.
Mas nem tudo precisa ser resolvido de frente. Para aqueles que preferem uma abordagem mais cuidadosa, a furtividade continua sendo uma excelente alternativa. Aqui, a influência de Metal Gear fica ainda mais evidente, com um arsenal de armas tranquilizantes e ferramentas que permitem ao jogador adotar uma abordagem furtiva e, por alguns momentos, sentir-se como o próprio Solid Snake.
No quesito desempenho, Death Stranding 2 também entrega uma experiência extremamente fluida. As animações são impressionantes e o nível de qualidade visual permanece elevado durante praticamente toda a campanha. A direção de arte é um espetáculo à parte, com cenários que frequentemente fazem o jogador simplesmente parar para observar o ambiente.

A geometria dos cenários, algo que inclusive se tornou bastante comentado pela comunidade, chama atenção pela quantidade de detalhes e pela maneira como o mundo foi construído. Em diversos momentos, subir uma montanha ou alcançar um ponto mais alto deixa de ser apenas uma necessidade da jogabilidade e passa a ser uma oportunidade para apreciar aquilo que Kojima e sua equipe construíram.
Durante minha experiência, não encontrei travamentos ou problemas relevantes de desempenho. O resultado é uma experiência tecnicamente muito sólida, acompanhada por uma direção artística que transforma praticamente cada região do mapa em uma oportunidade para capturar uma nova imagem.

Confesso que, em diversos momentos, simplesmente parei para tirar fotos e gravar vídeos. Death Stranding 2 consegue entregar aquele tipo de espetáculo visual que faz você esquecer por alguns segundos que está jogando e apenas apreciar o mundo diante de seus olhos.
TRILHA SONORA:
Não há como falar da grandeza de Death Stranding 2: On the Beach sem destacar sua trilha sonora. Durante nossa caminhada por aquele mundo vasto, cada música parece ter sido escolhida cuidadosamente para acompanhar o momento certo e reforçar a atmosfera de cada jornada.
Hideo Kojima demonstra novamente sua capacidade de utilizar a música como parte fundamental da experiência. Cada passo dado pelo jogador ganha um peso diferente quando acompanhado pelas faixas que surgem durante a exploração, fazendo com que a sensação de imersão naquele universo seja ainda maior.
Entre os grandes destaques estão artistas como Woodkid e Low Roar. A presença de Low Roar carrega ainda um significado especial para a franquia. Mesmo após o falecimento de seu vocalista, Ryan Karazija, sua música continua presente na memória dos jogadores e permanece profundamente associada à identidade de Death Stranding.
Ao longo da campanha, a trilha sonora consegue criar uma conexão ainda maior entre o jogador e aquele universo gigantesco. Existem momentos em que simplesmente caminhar por uma paisagem, acompanhado por determinada música, transforma uma atividade aparentemente simples em uma experiência memorável.
E aqui não existe como esconder minha opinião pessoal: grande parte das músicas que descobri durante a jornada já ganhou espaço permanente nas minhas playlists. Quando uma trilha sonora consegue ultrapassar os limites do próprio jogo e continuar sendo ouvida depois que os créditos terminam, é sinal de que ela cumpriu seu papel de maneira excepcional.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Não há muito a dizer sobre o trabalho realizado por Hideo Kojima e sua equipe sem reconhecer o impacto que Death Stranding 2: On the Beach teve em mim. A experiência criou uma conexão extremamente forte com o jogo e, sem exageros, se tornou uma das maiores experiências que já tive com um videogame.
É uma obra que certamente revisitarei diversas vezes ao longo dos anos. Seja para reviver determinados momentos da história, caminhar novamente por aquele mundo ou simplesmente apreciar tudo o que a Kojima Productions construiu, Death Stranding 2 é daqueles jogos que permanecem na memória mesmo depois de terminados. E, depois de toda essa jornada, até mesmo dedicar o tempo necessário para conquistar sua platina se torna algo que considero digno da experiência.
Hideo Kojima demonstra mais uma vez por que ocupa um lugar tão importante na indústria dos videogames. Sua capacidade de contar histórias, experimentar ideias incomuns e transformar conceitos que poderiam parecer estranhos em experiências emocionantes continua sendo um de seus maiores diferenciais.
Por isso, recomendo Death Stranding 2 principalmente para jogadores que procuram uma grande história e estão dispostos a se entregar à experiência. É importante ter paciência, porque o verdadeiro jogo pode levar um tempo considerável para começar a mostrar todo o seu potencial. Mas, quando ele finalmente engrena, a jornada recompensa essa espera.
Distribuidora: Sony Interactive Entertainment
Plataforma: PlayStation 5 (exclusivo — sem versão para PC, Xbox ou outra plataforma até o momento)
Gênero: Ação e aventura, mundo aberto, com elementos de furtividade
Duração: ~24 horas focando na campanha principal; até ~40h+ explorando conteúdo secundário (o site How Long to Beat aponta média de 35h na história principal)
Classificação indicativa: 18 anos (Brasil) / M – Mature (ESRB)
Nota média: 89 no Metacritic / ~90 no OpenCritic
Site oficial: kojimaproductions.jp/en/death-stranding-2
Página PlayStation: Death Stranding 2: On the Beach na PS Store


