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Reviews
Filme

Toy Story 5 (2026)

93

Toy Story 5 (2026) prova que a franquia ainda é capaz de se reinventar ao abordar o impacto dos tablets e celulares na infância. Sob o protagonismo emocionante de Jessie — que finalmente enfrenta os fantasmas de seu passado —, o longa entrega uma animação tecnicamente revolucionária, especialmente ao materializar visualmente a imaginação das crianças. Embora deixe de lado parte do elenco clássico de brinquedos, o filme compensa com uma narrativa madura, divertida e extremamente tocante que vai fazer gerações chorarem juntas mais uma vez.

A franquia que revolucionou a história do cinema de animação está de volta. Após um quarto capítulo focado na jornada de autodescoberta e despedida de Woody, Toy Story 5 chega aos cinemas em 2026 com uma proposta madura, corajosa e extremamente atual: o inevitável confronto entre a magia dos brinquedos tradicionais e o magnetismo imediatista das telas digitais.

Sob a liderança de Jessie, o novo longa da Pixar equilibra nostalgia e modernidade com uma sensibilidade tocante, provando que a franquia ainda tem muito fôlego e histórias relevantes para contar.


O Conflito Geracional: Plástico vs. Pixels

A trama se estabelece em um período de transição para Bonnie. Embora ela ame e cuide de seus brinquedos incondicionalmente, a pressão social da infância moderna bate à sua porta. Ao tentar interagir com os vizinhos, Bonnie é hostilizada e chamada de "atrasada" por ainda preferir bonecos a dispositivos eletrônicos.

Para ajudá-la a se enturmar, seus pais compram a grande novidade do momento: Lilypad, um tablet dinâmico e elétrico com a promessa de conectar crianças instantaneamente. De início, o plano funciona, deixando Bonnie popular, mas isolando seus antigos companheiros.

Diante da ameaça de obsolescência, Jessie usa um antigo walkie-talkie para acionar uma linha de emergência com Woody. Vivendo no "mundo exterior", o caubói tem testemunhado o lado sombrio dessa transição: parques repletos de brinquedos abandonados, negligenciados e traumatizados pelo avanço tecnológico. Esse cenário alarmante é o combustível perfeito para o retorno do nosso xerife favorito à ação.

Trailer postado no canal oficial da Walt Disney Studios BR no YouTube


Protagonismo de Impacto e Dinâmicas de Grupo

Se os filmes anteriores consolidaram Woody e Buzz, Toy Story 5 é, sem dúvidas, o filme de Jessie. A vaqueira assume o protagonismo em uma jornada emocionante que explora suas cicatrizes mais profundas — em especial, o abandono de sua antiga dona, Emily. O roteiro trata os traumas e as inseguranças de Jessie com uma delicadeza tocante, proporcionando a ela uma resolução emocional há muito aguardada pelos fãs.

O elenco entrega dinâmicas nostálgicas e divertidas:


  • Jessie: Se no segundo filme conhecemos a dor do abandono de Jessie, aqui nós finalmente encaramos as cicatrizes psicológicas que esse trauma deixou. Jessie não é apenas a líder do grupo; ela é uma sobrevivente emocional. O roteiro explora de forma brilhante a sua ansiedade crônica em relação à rejeição, reabrindo a ferida nunca totalmente curada de sua antiga dona, Emily. O brilho de seu arco está em como ela transforma essa vulnerabilidade em força coletiva. Ao lutar para que Bonnie não se isole no mundo digital, Jessie está, na verdade, tentando salvar Bonnie da solidão que ela própria já viveu. A resolução de sua história é de uma potência dramática avassaladora, entregando a ela a paz de espírito e o encerramento emocional que os fãs esperavam há mais de duas décadas.


  • Buzz Lightyear: Buzz passa por um amadurecimento tocante e muito divertido neste quinto capítulo. Longe de ser apenas o patrulheiro espacial destemido, ele enfrenta dilemas humanos muito reais: a vulnerabilidade de tentar declarar seus sentimentos a Jessie e o desejo de pedi-la em casamento. Essa jornada amorosa colide com seu orgulho. Ao ver Woody retornar com a bagagem de quem "conheceu o mundo lá fora", Buzz se sente testado e, por vezes, subestimado pelo velho amigo. Essa tensão reacende a icônica dinâmica de "disputa de liderança" do filme de 1995, mas agora com uma roupagem muito mais madura e afetuosa. Quando a ameaça de Lilypad coloca Jessie em perigo real, todas as dúvidas de Buzz se dissipam, revelando um herói focado puramente em proteger quem ama.


  • Woody: O Woody de Toy Story 5 é um personagem transformado pela estrada. Ele não carrega mais a obsessão de ser o "brinquedo favorito", mas sim a sabedoria de um mentor que entende a dinâmica do mundo. Ao retornar à trama através do walkie-talkie, o caubói traz uma perspectiva sóbria e até um pouco sombria: ele viu de perto a melancolia dos brinquedos esquecidos em praças e calçadas devido ao avanço tecnológico. Embora não seja o catalisador das soluções mirabolantes neste filme — papel que cabe brilhantemente a Jessie —, Woody funciona como a cola que mantém o grupo unido. Sua presença traz um conforto nostálgico imediato tanto para os brinquedos quanto para a audiência, agindo como o conselheiro estratégico que ajuda Buzz e Jessie a encontrarem seus próprios caminhos.


  • Lilypad: Mais do que uma vilã convencional, Lilypad é uma metáfora brilhante do nosso tempo. Ela personifica a sedução das telas: é elétrica, colorida, imediatista, barulhenta e dona de um carisma hipnótico. Ela não quer fazer o mal de forma intencional ou cruel; ela simplesmente opera sob a lógica do algoritmo — manter a atenção de Bonnie a qualquer custo, oferecendo recompensas rápidas e superficiais. Sua presença na tela é propositalmente cansativa e exuberante, criando um contraste perfeito com a calmaria e a profundidade dos brinquedos físicos. Lilypad brilha ao mostrar como a tecnologia pode, sim, conectar pessoas superficialmente de forma muito rápida, mas falha em criar os laços profundos e duradouros que apenas a imaginação pura consegue construir.


  • Blaze: Blaze é a lufada de ar fresco que o filme precisava. Introduzida como uma garota que vive em uma fazenda afastada, ela representa o contraponto perfeito à vizinhança hiperconectada de Bonnie. Blaze ama a natureza, os animais e, acima de tudo, o ato de brincar. O grande trunfo de sua personagem é a revelação de que ela mora na antiga casa onde Emily cresceu. Essa conexão geográfica e histórica não é apenas um truque de roteiro; ela serve para conectar o passado de Jessie ao futuro de Bonnie. Blaze possui brinquedos mais modernos, mas que convivem em perfeita harmonia com os tradicionais, provando que a tecnologia e a infância clássica podem coexistir pacificamente se houver espaço para o afeto.


Por outro lado, quem espera ver a clássica "gangue" em ação pode se decepcionar levemente. Personagens icônicos como o Sr. Cabeça de Batata, Rex e Slinky foram consideravelmente escanteados, aparecendo em poucas cenas para dar total foco ao núcleo principal de desenvolvimento.


Primor Técnico e Animação de Vanguarda

A qualidade técnica da Pixar atinge seu ápice aqui. O fotorrealismo dos cenários e da iluminação contrasta perfeitamente com o design estilizado e expressivo dos brinquedos, que transmitem microexpressões dramáticas sem perder a essência de plástico, pano ou metal. A trilha sonora e o ritmo das subtramas se costuram com precisão, guiando o público por uma montanha-russa de risos, tensão e lágrimas.

O grande trunfo estético de Toy Story 5 está nas cenas de brincadeira. O filme altera seu estilo artístico para ilustrar, de forma palpável e lúdica, a mente criativa das crianças. A transição entre o mundo real e a imaginação de Bonnie e Blaze gera sequências visualmente deslumbrantes e hilárias.


Produtora: Pixar Animation Studios 
Distribuidora:
Walt Disney Studios Motion Pictures 
Plataformas: Cinemas (Lançamento Oficial), Posteriormente no Disney+ 
Gênero:
Animação, Aventura, Comédia, Família, Drama 
Duração:
~1h 45min (105 minutos) 
Classificação Indicativa:
Livre 
Nota média Metacritic:
 73 da Crítica | 7.0 do Público
Site Oficial:
Pixar Animation Studios


Criterios de Avaliacao

Roteiro89/100
Direção97/100
Animação98/100
Personagens94/100
Trilha Sonora87/100

Positivos

  • +Desenvolvimento profundo e emocionante da personagem, encerrando traumas do passado de forma brilhante.
  • +Mudanças de estilo artístico incríveis que ilustram as brincadeiras das crianças.
  • +Aborda o impacto da tecnologia na infância de forma sensível e sem maniqueísmo barato.
  • +A divertida e clássica dinâmica de "rivalidade" entre Woody e Buzz retorna de forma madura.
  • +Evolução técnica impressionante em iluminação, texturas e expressividade.

Negativos

  • −A turma clássica de brinquedos perde quase todo o espaço na tela para focar apenas nos protagonistas.
  • −Embora Lilypad seja uma ótima metáfora da tecnologia, não chega a ser o elemento mais memorável ou brilhante da obra.

Veredito Final

Toy Story 5 prova que a maior força da Pixar não reside apenas na sua capacidade de criar mundos visualmente deslumbrantes, mas em sua sensibilidade para traduzir as dores do crescimento humano. Ao colocar os brinquedos clássicos frente a frente com o magnetismo imediato das telas digitais, o filme entrega uma das narrativas mais corajosas, maduras e necessárias de toda a franquia. O protagonismo brilhante de Jessie — que finalmente encontra a paz para suas cicatrizes do passado — aliado à belíssima representação visual da imaginação infantil, compensa com folga o espaço reduzido da turma clássica de coadjuvantes. É uma obra que respeita o legado de Woody e Buzz ao mesmo tempo em que abre espaço para o futuro através de novos personagens marcantes como Blaze. Prepare o lenço: com uma mistura perfeita de nostalgia refinada, humor inteligente e um apelo emocional avassalador, Toy Story 5 não é apenas mais uma sequência; é um clássico instantâneo que reaproxima gerações e nos lembra do valor insubstituível de saber brincar.

Sobre o Autor
Raphael Martins de Oliveira

Raphael é redator do Geekin360 e setorista das categorias de games e tecnologia, com foco especial no universo dos jogos de PC e nos principais lançamentos da indústria.

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