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Reviews
Filme

A Odisseia (2026)

70

A Odisseia, de Christopher Nolan, é um filme que impressiona principalmente pela sua estrutura. A história consegue transmitir a dimensão da jornada de Odisseu, com cenas grandiosas, bons momentos de tensão e uma fotografia que combina muito com o estilo do diretor.

INFORMAÇÕES:

Título original: The Odyssey

Direção: Christopher Nolan

Roteiro: Christopher Nolan

Baseado em: Odisseia, de Homero (com inspiração declarada na tradução de Emily Wilson e nos efeitos visuais de Ray Harryhausen)

Produção: Christopher Nolan e Emma Thomas

Elenco principal: Matt Damon (Odisseu), Anne Hathaway (Penélope), Tom Holland, Zendaya (Atena), Robert Pattinson (Antínoo), Charlize Theron (Calipso), Lupita Nyong'o (Helena de Troia), Jon Bernthal, Benny Safdie, John Leguizamo, Himesh Patel, Mia Goth, Elliot Page, Samantha Morton, Travis Scott

Trilha sonora: Ludwig Göransson

Direção de fotografia: Hoyte van Hoytema

Montagem: Jennifer Lame

Companhias produtoras: Syncopy e Universal Pictures

Distribuidora: Universal Pictures

Gênero: Ação, Aventura, Fantasia Épica

Duração: Não divulgada oficialmente até o momento

Orçamento: US$ 250 milhões

Classificação Indicativa: Não recomendado para menos de 14 anos

Data de estreia: 16 de julho de 2026 (Brasil e Portugal) / 17 de julho de 2026 (Estados Unidos e demais países)

Formato: Primeiro longa da carreira de Nolan filmado inteiramente com câmeras de filme IMAX

Locações de filmagem: Marrocos, Grécia, Itália, Escócia, Islândia, Saara Ocidental e Malta

Nota média Rotten Tomatoes: 95% de aprovação da crítica (380 críticas), com média de 8,7/10

Site Oficial: Universal Pictures / theodysseymovie.com


Sinopse:

Uma das histórias mais antigas da literatura ocidental ganha uma adaptação cinematográfica pelas mãos do cineasta Christopher Nolan. A Odisseia é um poema épico atribuído a Homero que acompanha as aventuras do herói grego Odisseu (Matt Damon) em sua volta para casa após a Guerra de Troia. O guerreiro enfrenta criaturas míticas e deuses em sua jornada épica de retorno onde sua esposa Penélope (Anne Hathaway) o aguarda. O rei de Ítaca descreve sua trajetória esbarrando com seres como o Ciclope Polifemo, as sereias e a feiticeira/deusa Circe.


A Odisseia, de Christopher Nolan, é um filme que impressiona principalmente pela sua estrutura. A história consegue transmitir a dimensão da jornada de Odisseu, com cenas grandiosas, bons momentos de tensão e uma fotografia que combina muito com o estilo do diretor. O filme também consegue deixar a história compreensível para quem não conhece a obra de Homero. Porém, justamente por tentar aproximar tanto a história do público moderno, algumas escolhas acabam tirando parte da identidade do épico original.


A principal delas é a modernização da ambientação. Entendo que Nolan não queria fazer apenas mais um filme de “espada e sandália” e que a intenção era criar uma versão mais realista e acessível. Mesmo assim, em alguns momentos parece que estamos assistindo a uma história moderna colocada dentro da Grécia Antiga. A Odisseia de Homero possui uma atmosfera muito própria, marcada pela presença constante dos deuses, pelo sobrenatural e por uma sociedade muito diferente da nossa. Ao deixar tudo mais realista e cotidiano, o filme perde um pouco daquela sensação de estar entrando em um mundo realmente antigo e mítico.

Outro ponto que me incomodou bastante foi a participação dos deuses. Na obra original, eles não são apenas personagens que existem no fundo da história, mas fazem parte diretamente da vida dos humanos. Atena, principalmente, possui uma relação muito próxima com Odisseu, aconselhando-o, protegendo-o e até conversando diretamente com ele em vários momentos. No filme, essa relação é muito mais limitada, o que faz a deusa parecer menos importante do que realmente é. Essa mudança funciona para uma narrativa mais realista, mas enfraquece uma das características mais importantes da obra de Homero: a constante interferência do mundo divino no destino dos homens. 

Também achei questionável a escolha das roupas e principalmente das cores. A equipe de figurino fez um trabalho enorme e pesquisou materiais da época, mas o resultado muitas vezes parece excessivamente escuro, bege e desgastado. A própria produção assumiu que buscava uma aparência “atemporal”, usando bastante linho, couro e bronze envelhecido. O problema é que isso pode passar uma imagem muito limitada da Idade do Bronze. As sociedades do período não eram compostas apenas por roupas apagadas e tons de terra. Havia tecidos, tinturas e diferentes formas de ornamentação, e entre pessoas de maior posição social era possível encontrar roupas e objetos mais chamativos. Assim, acredito que o filme poderia ter usado mais cores para diferenciar nobres, reis e outros personagens importantes, sem necessariamente perder o realismo.

Criterios de Avaliacao

Roteiro68/100
Direcao85/100
Atuacao88/100
Fotografia65/100
Trilha Sonora95/100

Positivos

  • +Esforço e cuidado evidentes da equipe de Nolan em entregar um épico grandioso e cativante
  • +Potencial real de despertar curiosidade em quem nunca leu a Odisseia ou a Ilíada originais
  • +Ambição visual e narrativa à altura da proposta de adaptar um dos maiores clássicos da literatura ocidental

Negativos

  • −Ausência quase completa de elementos básicos e reconhecíveis da sociedade grega da Era do Bronze
  • −Estética e atmosfera por vezes remetem mais a um filme de Primeira Guerra Mundial do que à Grécia Antiga
  • −Praticamente nenhuma presença ou menção aos deuses, que movem grande parte dos acontecimentos do poema original
  • −Perda significativa de contexto mitológico, já que boa parte da obra de Homero se constrói justamente através dos diálogos entre divindades

Veredito Final

Apesar dessas críticas, não acho que A Odisseia seja um filme ruim, muito pelo contrário. Nolan demonstra um enorme cuidado na construção da narrativa e consegue transformar uma história com milhares de anos em algo que ainda prende a atenção. O problema está justamente em algumas escolhas que tornam o filme mais moderno do que antigo. Para mim, uma adaptação não precisa copiar Homero completamente, mas deveria preservar aquilo que torna sua obra única. E, nesse caso, a presença dos deuses, a estética da época e a sensação de estar diante de um mundo completamente diferente do nosso fazem muita falta.

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