Cursemark é um roguelite de ação e fantasia sombria que mistura combate corpo a corpo, magia e exploração em um mundo repleto de segredos. Seu principal diferencial está no sistema de runas, que permite modificar profundamente as habilidades e criar builds diferentes a cada partida.
Jogabilidade
Cursemark coloca sua maior força justamente na jogabilidade. O título aposta em uma mistura de ação, exploração e elementos de roguelike, colocando o jogador no controle de um cavaleiro capaz de combinar combate corpo a corpo com diferentes formas de magia. A proposta funciona principalmente quando o jogo permite experimentar diferentes combinações e encontrar uma maneira própria de enfrentar os desafios.
Após algumas boas horas de gameplay, tenho poucos pontos a criticar quando o assunto é o combate. Mesmo sendo um jogador que prefere uma abordagem mais agressiva, focada principalmente em ataques de curta distância, Cursemark consegue oferecer ferramentas suficientes para que diferentes estilos de jogo sejam explorados. O combate corpo a corpo funciona bem e, ao mesmo tempo, as habilidades e as runas adicionam uma camada importante de estratégia à experiência.
É justamente nesse sistema de habilidades e runas que Cursemark encontra uma de suas características mais interessantes. Mesmo quando o jogador encontra a morte durante uma tentativa, ela não representa simplesmente o fim da experiência. Os espaços de armas e as habilidades previamente desbloqueadas fazem com que cada nova partida possa assumir uma identidade diferente, permitindo experimentar novas combinações e maneiras de enfrentar os desafios.
As diferentes runas adquiridas durante cada run também contribuem bastante para essa variedade. Dependendo das escolhas realizadas, é possível modificar a maneira como determinadas habilidades funcionam e criar combinações que favorecem diferentes estilos de combate. Seja utilizando habilidades de natureza dracônica, umbral ou outras variações disponíveis durante a jornada, existe uma sensação constante de experimentação.

E isso faz com que a morte tenha uma função interessante dentro da estrutura do jogo. Mesmo após encontrar a morte diversas vezes, Cursemark ainda conseguiu me fazer pensar: “E se eu fizer dessa maneira para enfrentar esse tipo de inimigo?”. Essa sensação de tentar novamente com uma estratégia diferente é justamente uma das características que fazem um roguelike funcionar, e aqui o jogo consegue entregar isso de maneira bastante satisfatória.
Porém, Cursemark ainda está longe de ser um mar de rosas, principalmente por estar em Acesso Antecipado. Depois de algumas horas, comecei a perceber uma repetição maior na estrutura das áreas. Muitas regiões acabam transmitindo uma sensação semelhante à anterior, e a falta de uma variedade maior de inimigos contribui diretamente para esse problema.
Em determinados momentos, a sensação é de que estou enfrentando novamente os mesmos desafios, apenas com pequenas alterações na dificuldade. Isso fica ainda mais evidente na evolução da Marca Amaldiçoada, onde a progressão acaba trazendo situações em que determinados inimigos parecem ser essencialmente os mesmos adversários encontrados anteriormente, porém com mais vida e causando mais dano.
Essa escolha acaba prejudicando um pouco a sensação de evolução. Aumentar os atributos dos inimigos pode tornar o combate mais difícil, mas não necessariamente cria novos desafios. Em um jogo que possui um sistema de combate tão interessante e uma estrutura baseada em experimentação, seria muito interessante encontrar inimigos que exigissem estratégias realmente diferentes conforme avançamos.

Ainda assim, é importante colocar essa crítica dentro do contexto do Acesso Antecipado. Cursemark demonstra ter uma base de combate bastante sólida e um sistema de habilidades e runas que consegue sustentar diferentes estilos de jogo. O que falta, principalmente, é uma maior variedade de situações capazes de aproveitar todo esse potencial.
No estado atual, a jogabilidade é provavelmente o elemento que mais me mantém interessado em continuar jogando Cursemark. Existe uma boa estrutura de combate, liberdade para criar diferentes combinações e aquela vontade de voltar para uma nova tentativa depois de morrer. Agora, resta ao desenvolvimento ampliar essa fórmula com mais inimigos, áreas e desafios que consigam acompanhar a qualidade de seu sistema de combate.
Trilha Sonora e Áudio
Na trilha sonora, eu tiro o chapéu para Cursemark. As músicas conseguem deixar a atmosfera do jogo ainda mais sombria e gótica, contribuindo diretamente para a imersão naquele universo. É um daqueles elementos que talvez não chamem tanta atenção isoladamente, mas, quando estão acompanhando a exploração e os combates, fazem uma diferença enorme na experiência.
As músicas combinam muito bem com a proposta visual e com a identidade geral do jogo. A direção de arte já estabelece uma atmosfera sombria, mas é a trilha sonora que ajuda a aprofundar essa sensação, fazendo com que o jogador se sinta ainda mais inserido naquele mundo.
Um dos momentos que mais ficou marcado para mim acontece justamente após a morte do personagem, quando retornamos ao chamado lobby antes de iniciar uma nova run. A música presente nesse momento acabou se tornando uma das que mais me marcou durante minha experiência com o jogo. É interessante como até mesmo o intervalo entre uma tentativa e outra consegue manter parte da identidade e da atmosfera construída por Cursemark.
Os efeitos sonoros também fazem um bom trabalho, principalmente durante os combates. Os ataques e habilidades possuem uma boa combinação entre o impacto visual e sonoro, fazendo com que cada ação tenha mais presença durante a gameplay. Isso ajuda a tornar o combate mais satisfatório e reforça a identidade das diferentes habilidades.
No geral, o áudio é um dos elementos que mais contribuem para a atmosfera gótica de Cursemark. A trilha sonora e os efeitos sonoros trabalham junto da direção de arte para criar uma experiência muito mais imersiva, fazendo com que o universo sombrio do jogo seja sentido não apenas através do que vemos, mas também através do que ouvimos.
Acesso Antecipado
Por estar em Acesso Antecipado, Cursemark ainda passa uma sensação clara de que pode entregar muito mais no futuro. Atualmente, não sinto que o jogo tenha chegado ao ponto em que todo o seu potencial esteja sendo explorado. Porém, caso os desenvolvedores continuem seguindo a direção apresentada até agora, acredito que Cursemark ainda tenha muito a mostrar para nós, jogadores.
Entre os principais pontos que precisam ser expandidos está a narrativa. Como mencionei anteriormente, senti falta de uma presença maior da história durante minha experiência, principalmente para compreender melhor o propósito do personagem e o motivo de estarmos naquele mundo. Existe uma base interessante, mas acredito que ela ainda precisa ser muito mais desenvolvida.
Outro ponto que considero extremamente necessário é a variedade de inimigos. Essa é, para mim, uma das maiores limitações da versão atual. Em determinados momentos, a progressão das Marcas Amaldiçoadas acaba utilizando inimigos que já conhecemos, apenas apresentando versões mais fortes, com maior resistência e dano.
Acredito que Cursemark poderia explorar muito mais essa ideia. Mesmo utilizando o mesmo inimigo, seria interessante apresentar novos padrões de ataque, comportamentos ou estratégias de combate conforme a progressão aumenta. Dessa forma, o jogador seria obrigado a reaprender a lidar com determinados adversários, em vez de simplesmente enfrentar uma versão mais resistente deles.

Para as próximas atualizações, gostaria principalmente de ver uma maior variedade nos padrões e comportamentos dos inimigos, além de um desenvolvimento mais profundo da narrativa. Esses dois elementos poderiam contribuir bastante para diminuir a sensação de repetição presente na versão atual.
Em relação às áreas, acredito que Cursemark ainda possa crescer em dimensão e variedade de mapas, mas, considerando o ponto em que o jogo se encontra atualmente, o tamanho das áreas já conseguiu me satisfazer. Não considero essa uma das principais preocupações da versão atual.
No geral, Cursemark apresenta uma boa base para continuar evoluindo. Ainda existe bastante espaço para crescimento, principalmente em narrativa e variedade de inimigos, mas é justamente por estar em Acesso Antecipado que vejo essas limitações como pontos que podem ser trabalhados ao longo do desenvolvimento.
Experiência Pessoal
O que mais me surpreendeu em Cursemark foi, sem dúvida, sua jogabilidade. Mesmo com algumas limitações na narrativa e na variedade de inimigos, o sistema de combate conseguiu me manter interessado durante minhas sessões, principalmente pela liberdade oferecida pelas habilidades, runas e diferentes possibilidades de abordagem.
Por outro lado, o que mais me incomodou foi justamente a falta de uma presença narrativa mais forte. Em determinados momentos, tive a sensação de estar simplesmente jogando sem compreender completamente o que estava fazendo naquele mundo ou qual era o propósito daquela jornada. Para mim, esse é um dos elementos que mais precisam ser trabalhados nas próximas atualizações.
Mesmo assim, Cursemark conseguiu me deixar com vontade de continuar jogando. A própria jogabilidade faz com que seja fácil iniciar uma nova partida e continuar experimentando diferentes possibilidades. Até mesmo a trilha sonora contribuiu para isso, seja ouvindo as músicas do próprio jogo ou até mesmo colocando minha playlist pessoal enquanto jogava.
Nesse sentido, Cursemark também funciona muito bem como um jogo para passar o tempo. Existe uma simplicidade na proposta de iniciar uma nova run, testar habilidades, enfrentar inimigos e tentar novamente após uma derrota que torna fácil permanecer jogando por mais algumas horas.
Para quem gosta de roguelikes, acredito que Cursemark seja uma experiência que vale a pena conhecer, principalmente para aqueles que conseguem aproveitar o gênero mais pela jogabilidade do que pela narrativa. No entanto, para quem considera uma grande história um elemento essencial, talvez seja interessante acompanhar o desenvolvimento do jogo antes de decidir investir nele.
Se eu tivesse que resumir Cursemark em uma única frase, seria:
"Um jogo que aguarda um grande futuro."
Desempenho Técnico
No quesito desempenho técnico, Cursemark apresentou um resultado excelente durante minha experiência. Joguei no PC equipado com um AMD Ryzen 7 5700G e 8 GB de memória RAM, e, mesmo utilizando a configuração gráfica padrão, o jogo conseguiu se manter estável em aproximadamente 80 FPS, sem que fosse necessário realizar qualquer alteração nas opções gráficas.
Durante minhas horas de jogo, a experiência foi extremamente fluida. Não encontrei quedas de FPS, travamentos ou crashes durante minha experiência no PC, e também não tive problemas relacionados ao carregamento do jogo.
Outro ponto que merece bastante destaque são as animações durante os combates. Para mim, elas são simplesmente perfeitas e ajudam a deixar cada movimento muito mais natural e satisfatório. Os ataques, habilidades e efeitos visuais conseguem transmitir bem o impacto de cada ação, contribuindo diretamente para a qualidade do combate.
Mesmo durante momentos com diversos efeitos acontecendo simultaneamente na tela, Cursemark conseguiu manter uma boa fluidez. Não percebi problemas de desempenho nesses momentos, o que reforça a boa otimização apresentada pelo jogo na configuração utilizada.
Considerando especificamente minha experiência com o Ryzen 7 5700G e 8 GB de RAM, Cursemark apresentou um desempenho bastante satisfatório. O jogo conseguiu manter uma taxa estável de aproximadamente 80 FPS, sem quedas, travamentos ou problemas de carregamento, além de apresentar animações muito bem executadas durante os combates.
Conclusão
Por estar em desenvolvimento, acredito que Cursemark ainda tenha bastante espaço para evoluir com as próximas atualizações. Existem detalhes visuais que podem ser aprimorados, mas principalmente a variedade dos ambientes e a construção das próprias áreas. Isso acaba se relacionando diretamente com aquela sensação de repetição que mencionei anteriormente, já que, depois de algumas horas, certas regiões começam a transmitir uma impressão um pouco semelhante entre si.
Mesmo com essas limitações, no estado atual, Cursemark consegue entregar uma experiência tecnicamente consistente e visualmente muito interessante. E, considerando que estamos falando de um projeto indie em Acesso Antecipado, é difícil não destacar o trabalho feito na sua direção de arte. A estética gótica e sombria é, para mim, um dos elementos que mais dão personalidade ao jogo e fazem com que ele consiga se destacar visualmente.
Título: Cursemark
Desenvolvedora: CLYDE Games
Publicadora: Mad Mushroom
Gênero: Roguelike de Ação / RPG
Subgêneros: Exploração, Soulslike e Fantasia Sombria
Plataforma analisada: PC
Modo de jogo: Single-player
Lançamento: 8 de junho de 2026
Status: Acesso Antecipado
Perspectiva: Visão isométrica
Principais elementos: Combate corpo a corpo, magia, exploração, runas e progressão entre runs
Direção artística: Fantasia sombria com estética gótica
Desenvolvimento: Indie
Página oficial: Cursemark na Steam


