A AMD divulgou seu relatório de resultados financeiros referente ao segundo trimestre de 2026, e os números do segmento de games chamam atenção — e não por bons motivos. A receita com jogos da empresa encolheu 31% em relação ao mesmo período do ano anterior, caindo de US$ 1,1 bilhão para US$ 779 milhões. Na prática, os games representaram apenas 6% do faturamento total da companhia no trimestre.
Segundo a própria AMD, a queda está ligada à retração na chamada "receita semi-custom", termo técnico que se traduz diretamente em menos consoles vendidos. Vale notar que o período avaliado inclui o lançamento do Steam Machine e da placa AMD Radeon RX 9070 GRE, em junho de 2026 — produtos que, ao menos neste balanço, não foram suficientes para conter a queda.
No relatório, os resultados de games ficam dentro do segmento chamado Client and Gaming, que cresceu 6% ano a ano, somando US$ 3,8 bilhões. Esse crescimento, porém, vem principalmente dos processadores da AMD que vêm ganhando espaço em notebooks mais acessíveis — máquinas de entrada, com configurações mais modestas de memória.
Enquanto o lado dos games decepciona, o restante do balanço da empresa segue em direção completamente oposta. A AMD faturou US$ 11,5 bilhões no trimestre, alta de 51% em relação ao mesmo período de 2025. O motor desse crescimento é a inteligência artificial: o segmento de data center gerou US$ 6,7 bilhões, salto de 107% ano a ano. A empresa está lucrando mais do que nunca — só que cada vez menos disso vem do mercado gamer.
A tendência não deve mudar tão cedo. Com o Xbox Series X recebendo aumento oficial de preço na Europa, e tanto a Nvidia quanto a própria AMD planejando elevar os valores das placas de vídeo, o hardware para games segue em trajetória de encarecimento — um cenário que tende a desestimular a compra e reforçar o foco crescente das fabricantes na corrida pela inteligência artificial, ao menos no médio prazo.


