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Reviews
Jogos Indies

DreamEcho (2026)

PC (STEAM)
79

DreamEcho é um Action RPG Roguelite que troca skill trees fixas por um sistema modular de "Conceitos" livremente combináveis, ambientado em um mundo de sonhos visualmente marcante. Um projeto pequeno com ambições grandes, que impressiona pela liberdade de builds e pela arte, mas cobra um preço de aprendizado alto logo nas primeiras horas.

DreamEcho não perde tempo apresentando sua premissa. Você é uma trabalhadora de escritório comum, vivendo em uma grande cidade, isolada pela rotina e sem tempo para manter amizades. Depois de dias de exaustão, um pesadelo diferente de tudo o que você já sentiu toma conta do seu sono, vazio, frio, escuro, como se o mundo inteiro tivesse se resumido a você. É nesse vazio que surge uma garota misteriosa, que revela a existência do Dream Echo, a ideia de que os sonhos de todas as pessoas estão, de alguma forma, conectados entre si. Ao acordar, a lembrança é vaga, quase um sonho dentro do sonho, mas a partir daquele momento, toda vez que os olhos se fecham, existe um lugar esperando, uma casa dentro do sonho, com ela lá, pronta para a próxima aventura.


O jogo, no entanto, não perde tempo com essa introdução narrativa antes de jogar você direto no combate. A primeira experiência já acontece dentro de um sonho, onde o próprio jogo se encarrega de explicar as mecânicas básicas de luta e os comandos que vão acompanhar o jogador ao longo da jornada. Depois de enfrentar as primeiras criaturas e um chefe, o "despertar" apresenta Morpheus, uma personagem que contextualiza o que está em jogo: você estava na borda do reino dos sonhos, o meio-termo entre a realidade e o mundo onírico, dentro de uma base aliada, já que o próprio reino é habitado por criaturas e por um caos que busca sequestrar quem cai ali para consumir sua energia. E essa energia não é só um conceito narrativo solto, é praticamente uma regra do universo do jogo: todo mundo possui alguma forma de energia dentro da comunidade dos sonhos, e quem perde a capacidade de agir corre o risco de ter essa energia usada por outra pessoa em seu lugar. É uma mitologia simples, mas que já nasce com identidade própria, e que ajuda a justificar tanto a estrutura de runs quanto o próprio ciclo de sono e despertar que sustenta a progressão do jogo.


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Essa base narrativa surreal encontra respaldo direto na apresentação visual. A arte de DreamEcho é um dos pontos mais fortes da produção, com traços que carregam personalidade própria, cores vivas e um estilo instantaneamente reconhecível, que conversa muito bem com a proposta imaginária do jogo. A trilha sonora segue essa mesma linha, com composições que reforçam o clima onírico e ajudam o jogador a sentir, de forma quase física, que aquele espaço não pertence à realidade comum, mas sim a um território estranho, desconhecido, que precisa ser desbravado com cautela. É um encaixe raro entre som, arte e premissa, dos que fazem a ambientação funcionar mesmo antes de qualquer mecânica entrar em cena.


No campo do combate, DreamEcho entrega uma base de hack and slash fluida e satisfatória, com uma sensação de resposta boa e golpes que acertam com peso adequado. É um alicerce sólido, ainda mais interessante quando somado à proposta central do jogo: em vez de uma árvore de habilidades fixa, tudo aqui gira em torno de Conceitos, blocos modulares que podem ser livremente combinados para formar builds, habilidades e comportamentos de combate totalmente diferentes de um jogador para o outro. O próprio estúdio descreve essa filosofia como inspirada diretamente em Path of Exile, e a comparação faz sentido: DreamEcho tenta trazer a profundidade de theorycrafting de um ARPG tradicional para dentro da estrutura aleatória e run-based de um roguelite, uma combinação que, segundo análises externas ao redor do lançamento, ainda não tinha sido tentada com esse nível de ambição nesse recorte de preço.


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O problema é que essa ambição vem acompanhada de uma curva de aprendizado bastante alta. Logo nas primeiras horas, o volume de sistemas que o jogo apresenta pode gerar uma confusão real, e é uma sensação compartilhada mesmo por quem já tem familiaridade com o gênero. Os Decks, por exemplo, não apenas determinam a arma principal usada em combate, mas empacotam um estilo de jogo inteiro, aumentando a chance de aparecimento de certos Conceitos, Talentos e Habilidades durante a aventura. Cada Núcleo (o tipo de arma equipada, como a espada longa inicial) consome energia ao usar habilidades no Modo de Energia, energia essa que é recuperada ao acertar ataques básicos, criando um ciclo de gerenciamento de recursos que precisa ser entendido rapidamente para não travar o ritmo de combate.


A camada de progressão de builds também exige atenção. Tanto Talentos quanto Habilidades seguem uma lógica de risco e escolha: ao encontrar um deles, o jogador pode rerrolar gastando Moedas do Sonho até aparecer algo mais alinhado à build desejada, obter o que foi oferecido, ou abandonar em troca de mais moedas. É um sistema que recompensa quem já sabe exatamente que tipo de build está buscando, mas que pode soar arbitrário para quem ainda está descobrindo as possibilidades, já que a probabilidade de conseguir exatamente o que se quer aumenta com o reroll, mas nunca ignora a qualidade geral daquela queda específica. Some-se a isso o sistema de Memórias, que permite equipar bônus de atributos e lógica especial na base entre uma run e outra, além de eventualmente carregar Talentos diretamente para dentro da próxima fase, e fica claro que DreamEcho não é um roguelite para ser absorvido de forma passiva. Ele pede investimento de tempo para that a experiência realmente floresça.


Essa sobrecarga inicial de sistemas, aliás, não é uma percepção isolada. Análises externas ao redor do lançamento apontam justamente para tutoriais rasos, equilíbrio ainda inconsistente entre diferentes builds e falta de clareza em certas informações de drop e crafting como os principais pontos de atrito da experiência, o que reforça que a sensação de confusão nas primeiras horas não é um problema pontual, mas um reflexo real do estágio atual do jogo. Também há observações, inclusive vindas do próprio Metacritic, de que o sistema de Conceitos ainda sofre de pouca variação dentro de builds mais especializadas, mesmo already permitindo a criação da maioria dos arquétipos clássicos de ARPG, como builds defensivas corpo a corpo, caos à distância e invocadores.


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E é justamente aí que mora o maior risco estrutural de DreamEcho: apesar da quantidade quase infinita de combinações possíveis entre Habilidades e Conceitos, o jogo tende a se apoiar predominantemente em fases e hordas de inimigos como sua principal estrutura de nível, o que pode levar a uma sensação de monotonia depois de um tempo, mesmo para quem está se divertindo em montar builds diferentes. A liberdade de personalização é real e impressionante, mas ela sozinha nem sempre é suficiente para disfarçar a repetição estrutural do que se faz, sala após sala, dentro de cada sonho.


Vale reforçar que DreamEcho é o projeto de estreia de uma equipe indie pequena, baseada em Xangai, o que torna ainda mais notável o tanto de sistemas interligados que já estão de pé nesse lançamento. É um jogo simples na superfície, bonito, com uma estética própria e uma premissa onírica que funciona, mas que esconde, por baixo dessa simplicidade aparente, uma quantidade de mecânicas de combate e de progressão capaz de intimidar até jogadores experientes do gênero nas primeiras horas. Quem estiver disposto a atravessar essa barreira inicial de aprendizado encontra um sistema de build genuinamente livre e recompensador, mas é importante entrar ciente de que DreamEcho pede paciência antes de entregar tudo o que promete.




Desenvolvedora: HotWaterStudio (equipe indie de estreia, baseada em Xangai)
Publicadora: HotWaterStudio
Plataformas: PC (Steam)
Data de lançamento: 10 de agosto de 2026
Gênero: Action RPG, Roguelite, Aventura, Indie
Tags: Action Roguelike, Roguelite, Deckbuilding, RPG, Anime, Procedural Generation, Creature Collector, Hack and Slash, Character Customization, Bullet Hell, 2D
Modo: Single-player
Idiomas: Inglês, Português (Brasil) e outros 8 idiomas (interface e legendas)
Site Oficial: Steam / Discord oficial do estúdio
Divulgação: Recebemos uma cópia gratuita de análise de DreamEcho para a produção desta review. A avaliação reflete exclusivamente a experiência da equipe Geekin360.  

Criterios de Avaliacao

Gameplay85/100
Graficos90/100
Historia80/100
Trilha Sonora84/100
Performance85/100

Positivos

  • +Sistema de Conceitos modular oferece liberdade real de build
  • +Direção de arte vívida, estilizada e com identidade própria
  • +Trilha sonora surreal que reforça bem a ambientação onírica
  • +Premissa narrativa simples, mas funcional e bem contextualizada
  • +Combate hack and slash fluido e responsivo

Negativos

  • Curva de aprendizado alta, com sobreposição de muitos sistemas logo de início
  • Estrutura de fases apoiada majoritariamente em hordas pode gerar monotonia
  • Equilíbrio ainda inconsistente entre builds mais especializadas
  • Falta de clareza em algumas informações de drop e crafting

Veredito Final

DreamEcho é um roguelite ARPG ambicioso, bonito e genuinamente livre na hora de montar builds, mas que peca em ensinar suas próprias mecânicas e corre o risco de monotonia estrutural com o tempo. Vale o interesse de quem gosta de theorycrafting no estilo Path of Exile e está disposto a encarar uma curva de aprendizado exigente.

Sobre o Autor
Izabel Alberto Farias

Izabel é redatora do Geekin360 e apaixonada por filmes, séries, jogos e cultura nerd.

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