Título no Brasil: Obsessão
Direção: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker e Jeff Barker
Produção: James Harris, Christian Mercuri e Haley Nicole Johnson
Produção executiva: Ruzanna Kegeyan, David Haring, Leonora Darby, Roman Viaris, Jason Blum e Mark Lane
Distribuição: Universal Pictures
Gênero: Terror, Thriller, Romance
Duração: 108 minutos (1h48min)
Classificação Indicativa: 18 anos
Data de estreia: 14 de maio de 2026 (Brasil)
País de origem: Estados Unidos
Elenco principal: Michael Johnston (Bear), Inde Navarrette (Nikki), Cooper Tomlinson, Megan Lawless e Andy Richter
SINOPSE :
A história acompanha Bear e Nikki, apresentando desde o início uma relação na qual os sentimentos de Bear por Nikki ganham um peso cada vez maior. Embora inicialmente possam ser interpretados como uma paixão, o comportamento do personagem permite uma leitura mais incômoda, aproximando seus sentimentos de uma verdadeira obsessão.
Esse conflito fica evidente quando Bear encontra o One Wish Willow, um objeto aparentemente mágico que ele compra sem realmente acreditar que possa funcionar. Mais tarde, ao levar Nikki para casa após sua despedida do trabalho, Bear tem uma oportunidade de finalmente revelar seus sentimentos, mas acaba recuando. É justamente nesse momento que sua insegurança o leva a recorrer ao objeto.
Bear então faz um desejo simples em sua formulação, mas extremamente complexo em suas consequências: fazer com que Nikki o ame mais do que qualquer outra coisa. A partir desse desejo, o filme deixa de ser apenas uma história sobre alguém tentando conquistar a pessoa por quem é apaixonado e passa a explorar as consequências de tentar controlar os sentimentos de outra pessoa.
ENREDO :
Mesmo com um orçamento aparentemente limitado, o filme demonstra uma dedicação considerável por parte de sua direção. A premissa parte de um desejo que, apesar de suas consequências, possui algo extremamente humano. Afinal, é possível imaginar que muitas pessoas, diante da oportunidade, poderiam desejar algo semelhante a Bear. É justamente essa familiaridade que torna a situação ainda mais interessante, porque o filme não apresenta apenas a realização de um desejo, mas também o lado sombrio de tentar transformar uma obsessão em realidade.
A partir do momento em que Bear consegue aquilo que desejava, as consequências começam a tomar proporções cada vez maiores, afetando completamente a vida de Nikki. O que inicialmente poderia parecer uma fantasia romântica rapidamente se transforma em algo perturbador, colocando o protagonista diante das consequências de uma escolha que parecia simples.
A direção também merece destaque pela maneira como utiliza os enquadramentos e determinadas pistas espalhadas ao longo das cenas. O filme consegue fazer o espectador perceber gradualmente que aquela não é exatamente a Nikki que conhecíamos. Em alguns momentos, essa informação é sugerida de maneira mais sutil, através de elementos visuais e comportamentais, enquanto em outros é apresentada de forma mais explícita pela própria personagem. Essa construção faz com que o público comece a questionar o que está realmente acontecendo, criando uma tensão que funciona particularmente bem dentro da proposta de terror e suspense.
É justamente nessa construção gradual que o filme consegue alcançar alguns de seus melhores momentos. Mesmo sem depender exclusivamente de grandes efeitos ou de um orçamento elevado, a direção encontra maneiras de criar desconforto e expectativa, fazendo com que determinadas cenas tenham um peso maior do que inicialmente aparentam.
Além da direção, a maquiagem e as atuações também contribuem bastante para essa atmosfera. A transformação da personagem e a maneira como ela é apresentada ajudam a vender a ideia de que existe algo errado, enquanto as atuações conseguem sustentar boa parte da tensão criada pelo roteiro. São esses elementos, trabalhando em conjunto, que fazem o filme conseguir construir uma atmosfera de suspense que, pessoalmente, não encontro com tanta frequência em produções recentes do gênero.
ATUAÇÕES :
Michael Johnston consegue sustentar bem a ideia proposta para Bear, principalmente ao transmitir a paixão que o personagem sente por Nikki. Ao longo da história, essa paixão vai adquirindo um caráter cada vez mais perturbador, e o ator consegue demonstrar a diminuição do sentimento de culpa diante do que está fazendo com ela. Esse aspecto funciona como um dos pontos fortes de sua interpretação, porque permite perceber que Bear vai se acostumando com as consequências de sua própria escolha.
Por outro lado, sinto que existe algo faltando em determinados momentos da atuação. Algumas cenas passam uma sensação de vazio emocional no personagem, principalmente quando Bear demonstra medo daquilo que Nikki se tornou. O problema é que, mesmo diante desse medo, nem sempre fica evidente que ele realmente deseja colocar um fim naquela situação. Quando finalmente demonstra algum conflito ou vontade de interromper aquilo, esse sentimento parece desaparecer rapidamente.
Isso acaba deixando o espectador em uma espécie de zona de incerteza. É difícil compreender exatamente o que Bear está sentindo ou até onde ele está disposto a ir para desfazer aquilo que criou. Ao mesmo tempo em que ele demonstra medo, culpa ou preocupação em determinados momentos, esses sentimentos parecem não permanecer tempo suficiente para construir uma evolução emocional mais consistente.
Ainda assim, essa ambiguidade pode ser interpretada de duas maneiras. Por um lado, pode representar uma característica intencional do personagem, mostrando alguém tão consumido pela própria obsessão que já não consegue reagir de maneira completamente racional. Por outro, pode ser resultado de uma atuação que, em algumas cenas, não consegue transmitir toda a complexidade emocional que o momento exige.
No fim, a atuação de Michael Johnston funciona principalmente na construção da obsessão de Bear, mas deixa algumas lacunas justamente nos momentos em que o personagem deveria revelar com maior clareza seus conflitos internos. E isso faz com que o espectador passe boa parte do filme tentando decifrar o que realmente se passa dentro dele.
Se existe uma atuação que merece um destaque especial dentro do filme, é a de Inde Navarrette como Nikki. Sua interpretação consegue tornar a personagem extremamente convincente tanto nos momentos em que ela ainda demonstra características humanas quanto nas cenas em que sua presença se transforma completamente em algo monstruoso.
Um dos maiores acertos está justamente nos detalhes mais sutis. Aqueles pequenos sinais deixados pela direção, que fazem o espectador perceber que existe algo errado com Nikki, são amplificados pela atuação de Inde. Expressões, olhares e mudanças na maneira como a personagem se comporta ajudam a construir essa sensação de estranheza antes mesmo de o filme revelar completamente o que está acontecendo.
Quando a personagem assume seu lado monstruoso, essa atuação se torna ainda mais expressiva. Inde consegue transformar Nikki em uma presença realmente ameaçadora, principalmente através de suas expressões faciais e da maneira como sustenta determinadas cenas. Em momentos de maior tensão, ela consegue fazer com que o espectador permaneça desconfortável simplesmente observando sua personagem.
Um exemplo marcante são os momentos em que Nikki apresenta aquele sorriso quase diabólico. É uma expressão simples, mas, dentro do contexto da cena, ganha um peso enorme e contribui diretamente para a atmosfera de terror. A atriz consegue fazer com que esse tipo de detalhe pareça muito mais perturbador do que seria se dependesse apenas da maquiagem ou dos efeitos.
O mais interessante é que essa intensidade não aparece somente quando Nikki está sendo monstruosa. Quando a personagem ainda demonstra seu lado humano, Inde também consegue entregar momentos bastante expressivos, criando um contraste que torna a transformação ainda mais convincente.
Nesse aspecto, tenho pouco a criticar na atuação de Inde Navarrette. Sua interpretação é um dos grandes destaques do filme e, para mim, consegue sustentar boa parte da tensão e do terror presentes nas cenas em que Nikki está em destaque.


