Lunarium apresenta seu mundo através de Ave, uma jovem cavaleira em treinamento sob a tutela de Theodore, cuja missão inicial de proteger seu vilarejo contra feras logo se revela apenas a ponta de um problema muito maior. O verdadeiro conflito do jogo gira em torno do Nihilus, uma corrupção sombria que consome florestas, vida selvagem e comunidades inteiras, transformando tudo o que toca em ameaças hostis. É nesse cenário de mundo agonizante que Ave encontra Lune, uma Starfarer, um ser mágico e ancestral que, unindo forças com a jovem cavaleira, parte em busca de respostas sobre a origem dessa praga e sobre uma raça lendária que antes vivia em harmonia com os humanos.

A premissa, é importante dizer, não reinventa a roda. Herói humano, guia mística e uma força corruptora ameaçando o mundo é uma fórmula narrativa já bastante conhecida dentro do gênero. Mas é justamente na execução dessa fórmula que Lunarium encontra seu valor. A relação entre Ave e Lune carrega sinceridade, ambas incompletas sozinhas, mas competentes o suficiente juntas para enfrentar algo maior do que qualquer uma delas daria conta individualmente. E é exatamente aí que mora a mensagem mais bonita do jogo: a jornada é sustentada pela amizade construída no caminho. Não é a força bruta de Ave nem a magia de Lune que resolve os problemas sozinha, é a soma das duas, a união genuína entre uma guerreira íntegra e uma guardiã mística tentando fazer o certo, mesmo sem todas as respostas em mãos. Existe bondade real nesses personagens, um compromisso silencioso com salvar quem precisa ser salvo, e é esse compromisso, mais do que qualquer reviravolta de enredo, que sustenta o interesse do jogador em continuar acompanhando a dupla até o fim. Mesmo com uma base narrativa genérica, Lunarium entende que o caminho percorrido junto de alguém importa tanto quanto o destino final, e é esse entendimento que transforma uma premissa batida em algo emocionalmente válido.

No campo visual, Lunarium é absolutamente encantador. A arte hand-drawn constrói uma atmosfera fantasiosa e bela, do tipo que parece ter saído direto de um livro de contos de fadas ou de uma história medieval ilustrada. Os personagens são desenhados com muito cuidado, e os cenários explorados ao longo da aventura, entre templos, ruínas e capelas, são genuinamente belos e cheios de identidade visual própria. Some-se a isso uma trilha sonora absolutamente primorosa, um dos pontos mais fortes do jogo como um todo. As composições possuem um tom quase angelical, mudando de forma dinâmica conforme o jogador caminha em paz, entra em combate, conversa com Lune, descansa para se curar ou enfrenta um chefe. É uma trilha bela, rica e extremamente bem produzida, que acompanha com sensibilidade cada momento da jornada e reforça, através do som, tudo aquilo que a arte já constrói visualmente.
No combate, Lunarium mistura claramente influências souls-like, curas limitadas, barras de vida cuidadosamente geridas, pontos de descanso que funcionam como fogueiras, sem, no entanto, se apoiar em um sistema de stamina tradicional. O sistema de parry é um dos grandes acertos da jogabilidade: preciso, satisfatório e acompanhado de um retorno sonoro excelente, tornando a defesa ativa genuinamente prazerosa de executar. A esquiva funciona bem na maior parte do tempo, mas vale um adendo técnico: ela tende a ficar um pouco confusa quando o lock-on em inimigos está ativado, atrapalhando a leitura de direção em momentos de maior tensão. Desativando o lock-on nas configurações, porém, a esquiva responde exatamente como deveria, tornando o combate bem mais fluido. Os confrontos contra chefes, de resto, se mostram bem equilibrados, desafiadores sem serem punitivos ao extremo, exigindo leitura de padrões e adaptação, mas nunca beirando a injustiça.

A progressão de Ave se apoia em uma árvore de habilidades competente, com desbloqueios que vão desde repelir projéteis através de parries perfeitos até outras adições que se integram bem ao ritmo de combate. Lune, por sua vez, está longe de ser apenas um elemento decorativo na dupla. Sua presença em combate é sentida de forma direta, sua luz é capaz de gerar staggers críticos em inimigos e chefes, ajudando ativamente nos combos de Ave e equilibrando consideravelmente a dificuldade dos confrontos, reforçando ainda mais, na prática, a ideia de que a força dessa dupla está na soma, e não na individualidade de nenhuma das duas.
Ave, como protagonista, não é uma personagem extremamente carismática ou marcante à primeira vista, mas carrega uma simpatia genuína, o tipo de presença que deixa claro, através de pequenos gestos e falas, que se trata de uma boa pessoa, íntegra o suficiente para justificar sua ambição de se tornar uma cavaleira estelar. É esse tipo de caracterização discreta, somada à cumplicidade construída com Lune, que dá ao jogo seu verdadeiro coração emocional.
Nem tudo, porém, é perfeito. Alguns, não todos, tipos de inimigos comuns tendem a se repetir ao longo da exploração, apenas variando entre versões mais fortes ou mais resistentes, o que pode gerar certo cansaço em algumas seções do jogo. É um ponto de atrito pequeno, mas perceptível, dentro de uma experiência que, de resto, mantém um nível de qualidade bastante consistente.
No fim das contas, Lunarium é o tipo de jogo que conquista pelo conjunto da obra. Com um combate fluido assim que bem configurado, uma narrativa que não surpreende pela originalidade mas comove pela sinceridade, ele acerta no que realmente importa: uma dupla protagonista pela qual vale a pena torcer, uma trilha sonora belíssima, uma direção de arte encantadora e uma mensagem simples, mas sincera, sobre como a persistência por um objetivo justo se torna mais forte quando dividida com alguém ao seu lado.
Publicadora: Imperfect Games
Plataformas: PC (Steam)
Data de lançamento: 28 de julho de 2026 (versão 1.0)
Gênero: Action RPG, Souls-like, Aventura, Indie
Tags: Souls-like, Action RPG, Metroidvania, Hand-drawn, Atmospheric, Dark Fantasy, Female Protagonist, Exploration, Story Rich, Singleplayer
Modo: Single-player
Site Oficial: Steam


